Educadores recebem capacitação e são certificados na UFMG
Kadu Spínola reg. MG 06.299 JP
Intolerância à orientação sexual está com os dias contados nas escolas municipais de Contagem. Cerca de cem profissionais da Educação do município foram capacitados e serão certificados no Centro Cultural da UFMG, durante seminário, que promete mexer com os alicerces acadêmicos da instituição federal. O tema é polêmico e a discussão em alto nível. O evento ocorrerá no dia 30 de abril, de 9h às 21h. A entrada é gratuita. As inscrições poderão ser feitas na SEDUC pelos telefones 3352-2063 ou 3392-2951.
Do grego homos, igual e do latim sexus, sexo, homossexualidade define-se por atração física, emocional e estética entre seres do mesmo sexo. O termo homossexual foi criado em 1869 pelo escritor e jornalista austro-húngaro Karl-Maria Kertbeny e até hoje enfrenta preconceitos. Desde 2005 Contagem realiza no município debates, mostra de filmes, exposições e atividades educativas que buscam combater o preconceito e promover a cidadania da comunidade LGBTTT- Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transsexuais e transgeneros. No decorrer do ano passado inúmeras escolas da Rede municipal e FUNEC solicitaram a presença dos militantes do CELLOS Contagem e da equipe do programa gênese da secretaria de educação – SEDUC para palestras e oficinas que focassem o combate a Homofobia no espaço escolar.
Respaldado pelo Programa Nacional Brasil Sem Homofobia, que propõe a implantação de ações ao enfrentamento a homofobia, Contagem capacita à primeira leva de combatentes. Cerca de cem educadores foram contemplados com o curso que contou com a parceria da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e prefeitura de Belo Horizonte. Criar condições de continuar potencializando a temática para que efetive uma real mudança nos interiores das escolas da Rede Municipal de Ensino de Contagem foi o objetivo do investimento.
Em 2007, todas as 69 escolas da rede municipal receberam seu primeiro kit gênese, composto de onze volumes sobre a temática. Está previsto para 2009, o lançamento da segunda leva de livros que promete enriquecer ainda mais o acervo das bibliotecas. Dentre as subtemáticas trabalhadas no curso estão a Construção da Sexualidade e Identidade de Gênero Masculino e Feminino; Construção da Sexualidade e Identidade de Gênero: transexualidade e travestilidades; Homoparentalidade e Grupos Familiares; Escola e as Políticas do Armário: o pacto do silêncio; Redes Articuladas das Políticas Públicas de Belo Horizonte e Contagem; Análise Institucional: a instituição escolar; construção de projetos interventivos psicossociais, dentre outros.
O gerente de Inclusão Social, Carlos Antônio Diniz Júnior, foi contemplado com a formação e recomenda. “Já vinha de discussões dentro da temática. Participar do Educação Sem Homofobia ampliou consideravelmente meus conhecimentos. O curso foi de altíssimo nível, não gostaria de terminar a discussão e recomendo para todos” , frisou.
Outro educador que sente beneficiado é o professor de Ensino Religioso da Escola Municipal Maria Olintha, Evanildo Augusto Silva, 34 anos. “Fui agraciado com a formação, agora tenho subsídios para intervir nas realidades distintas no interior da escola”, disse.
Também feliz com a capacitação está à professora de Educação Física, Regina Amélia Antunes Garcia, 49 anos, regente da Escola Municipal Isabel Nascimento de Mattos. “Tinha afinidade pelo assunto. Fazendo o curso aprofundei na temática. Agora sim, posso multiplicar com segurança o que aprendi”, disse.
Para o presidente do Centro de Luta pela livre orientação sexual - CELLOS Contagem, Anderson Cunha Santos, a temática Educação Sem Homofobia está em ascensão. Esta atitude dos educadores de buscar informação no movimento social é uma parceria. A discussão é a prova concreta de que o tema ganhou visibilidade. As atividades da SEDUC incluindo o curso "Educação sem Homofobia" é exemplo disso, completou.
Segundo a assessora da Coordenadoria de Projetos Especiais, Juliana Batista Diniz Valério, o foco foi a Política Pública Educacional de Gênero e Sexualidade. “Pensamos o curso depois de uma capacitação em 2007 juntamente com gestores da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte - SMED. Com a temática Brasil Sem Homofobia em mãos, formatamos uma metodologia inovadora. O momento bolha no final de cada encontro resume nosso diferencial do projeto nacional”, destacou.
Quem explica o curioso momento bolha é o coordenador executivo do projeto Educação Sem Homofobia do Núcleo de Direitos Humanos, Cidadania LGBT da UFMG, Marco Antônio Torres. “O espaço bolha surgiu a partir da necessidade do diálogo entre cursistas e equipe coordenadora. Ao final de cada capacitação avaliávamos em conjunto e com isso, possibilitamos o sucesso do curso”, participou.
Kit Gênese dá suporte as escolas municipais de Contagem
Dentre as obras adquiridas pela SEDUC e repassadas para as bibliotecas escolares no interior do primeiro Kit Gênese estão: Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação; O corpo educado; pedagogias da sexualidade; Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista; Formação de educadoras sexuais: adiar não é mais possível; Pluralidade cultural e inclusão na formação de professoras e professoras; Como se ensina a ser menina: sexismo na escola; História da sexualidade volume I, II e III; De Tarzan a Homer Simpson; Problemas de gênero; Sexualidades e infâncias. O acervo ainda conta com filmes e materiais pedagógicos como jogos.
Curiosidades e definições
A homossexualidade é uma infinita variação sobre um mesmo tema: o das relações sexuais e afetivas entre pessoas do mesmo sexo. Por definição, o homossexual é alguém que, sabendo pertencer a um sexo, masculino ou feminino, procura outra pessoa do mesmo sexo, como objeto erótico. Não tem o intuito de mudar de sexo nem o repudia. Ao contrário, tem prazer em usar sua genitália.
O travestismo refere-se ao homem ou mulher que se veste e assume características físicas e psicossociais atribuídas ao sexo oposto. Já o transformismo é a arte de fazer uso de vestimentas do sexo oposto para desempenhar melhor um personagem. Os artistas podem ser homossexuais, heterossexuais ou bissexuais. O que prevalece é que eles encaram como desafio na carreira interpretar personagens do sexo oposto. As drag queens são homens que se vestem de mulher para sair à noite. Não pretendem se fazer passar por mulheres, querem apenas se divertir. Elas podem ser homossexuais, bissexuais ou heterossexuais. Não é a preferência sexual que importa. O que é levado em conta é o prazer da brincadeira em adotar provisoriamente, quase sempre em festas ou desfiles, comportamentos descontraídos e exagerados do sexo oposto. Sobre a transexualidade existem diferentes conceitos. Eles têm em comum a incompatibilidade da conformação genital com a identidade psicológica sexual no mesmo indivíduo. O transexual é aquele que recusa totalmente o sexo que lhe foi atribuído civilmente.
Excelente. Seu blog, espero, se torne uma referência, uma fonte de consulta para tod@s aquel@s que queiram entender melhor, tirar dúvidas ou ainda acrescentar, comentar, depor... Parabéns, amigo. E continue. Já está favoritado. Edmundo
ResponderExcluirOlá companheiros e companheiras, passei um tempo gde sem atualizar esse blog. Todavia, estou de volta e espero contar com o feedback de todos(as) vcs. E por falar em novidades estão sabendo q a UFMG iniciou a segunda edição do curso educação sem homofobia? Pois é agora com mais força; pois a universidade conseguiu mais parcerias(Betim, Santa Luzia, BH, Contagem e outras).
ResponderExcluirCompanheiros e companheiras,
ResponderExcluirO Cartório Oliveira em BH faz união civil entre iguais(casamento). Não é como na Argentina, mas já é um começo. Acabei de conhecer duas meninas lindas q casaram lá(Diana e Andrea). Custa R$ 83,00. E vcs conhecem pessoas que fizeram esse tipo de união est
Olá companheiros e companheiras,
ResponderExcluirFui testemunha na união civil entre duas mulheres lindas no mês passado(Ana Paula e Juliana) no cartório Nogueira em Contagem. Foi mto bacana. Agora é divulgar e insentivar a união homoafetiva.
É isso aí militante Márcia. O exemplo das companheiras Ana Paula e Juliana nos faz mais fortes. Precisamos divulgar essa possibilidade de união. É mais um passo pra chegarmos onde a Argentina chegou recentemente. Avante!
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